Um dia de “fúria”…

Muita gente pergunta como aconteceu a preparação para a mudança, como planejamos e quais foram os caminhos. No nosso caso especificamente, essas etapas não aconteceram.

Era um sonho, nós sempre tivemos esse desejo, porém nunca nos preparamos para isso. O dia a dia, infelizmente, na maioria dos casos engole alguns dos nossos projetos e ainda mais sendo eles grandes, como uma mudança de país.

A única coisa que eu tinha certeza era de que um dia aconteceria, simplesmente pelo fato de que tudo que fosse sobre esse assunto eu estava ligado. Eu assistia todos os programas de TV que mostravam a história de quem mudou, lia todos os blogs, assistia todos os vídeos e sonhava quando seria o meu dia…

Antes de mudarmos, eu trabalhava a um quarteirão de distância da Priscila. Trabalhavamos na Av. Paulista e tentávamos sempre que possível almoçar juntos, porém nem sempre era possível. Num certo dia, daqueles que você decide mudar tudo, eu liguei pra ela e disse que precisava de um almoço juntos, que não dava mais, que a vida daquele jeito não estava nada legal e que precisaria conversar, ou teria grandes chances de no dia seguinte acordar sem emprego. Eu tinha um bom emprego, mas eu estava pra completar 30 anos e precisava de mudanças. Olhava para trás e via muitas conquistas mas e agora nessa nova fase da vida? Quando chegasse aos 50 e olhasse para os meus últimos anos, como seria? Teria orgulho? Teria histórias novas para contar? E principalmente, eu seria uma pessoa realizada, de verdade?

Fomos almoçar e despejei praticamente tudo isso para a Priscila e de quebra para o Ezequiel, nosso amigo que estava junto, durante mais de uma hora que ficamos lá. Saímos da mesa dizendo que mudaríamos em 2 meses à partir daquele momento e até hoje lembro do Ezequiel dizendo “você só fala, ouço você falar disso a anos”. Voltei para o trabalho e passei a tarde imaginando por onde começar…

Saímos do trabalho e fomos direto para a casa dos pais da Pri buscar o Pietro e contar a novidade. É claro que tem aquele choque inicial da notícia, até porque imagina tirar um bebê de 1 ano do convívio dos avós para uma loucura dessas. Porém, minha sogra disse exatamente o que precisávamos ouvir “não esperem o tempo passar e quando menos perceberem, ver que os anos já se foram e não dá mais tempo de correr atrás…”. Era justamente o apoio que queríamos e precisávamos.

Cheguei em casa, listei tudo que havia por lá e naquela mesma noite soltei no Facebook uma lista para vender essas coisas. Foi nessa hora que senti que a Pri percebeu que era séria a coisa. Desse dia, até a data da mudança (a história do primeiro post) deu por volta de 2 meses e meio.

Foi um ato de fé e de acreditar que seria possível. Não tínhamos famílias, amigos, nada por aqui. Tudo que aprendemos antes foi através da Internet e de pessoas que nos ajudaram virtualmente sem nos conhecer e nem cobrar nada em troca por isso. Simplesmente nos abençoaram e nos mostraram que era possível.

A nossa decisão foi tomada assim e espero que tenham gostado de mais essa parte da história. Já vou começar a imaginar o próximo post e acho que posso contar sobre o nosso primeiro dia na América. Sugestões? Deixem um comentário.

Até o próximo post…

O dia da “nossa” Independência

Por causa do Coisas de Orlando, sempre recebo perguntas sobre a nossa mudança e principalmente pedindo para que conte como foi. Hoje, 04 de julho, é o dia em que tudo aconteceu…

Há exatamente 2 anos atrás, acordamos sabendo que mudaríamos tudo em nossas vidas, que a nossa decisão nos ensinaria a “andar” de novo, teríamos que aprender a falar e desvendar tudo aquilo que nem sequer imaginávamos. O sonho de morar fora do país, viver uma nova cultura e o medo de não olhar para trás e ver que a vida tinha passado e que não havíamos saído do lugar falou mais alto e muito forte.

Durante o dia, não foi nada além de ter coragem de colocar o resto das coisas nas malas, separar os documentos e pegar nossa passagem só de ida (não havíamos planejado a volta). Sinceramente, lembro apenas disso e minha cabeça já me transporta para o aeroporto e a despedida.

Toda nossa família e amigos foram para lá e enquanto aguardávamos, por mais que a ansiedade era grande, estávamos ali, mas quando deu nosso horário e tivemos que caminhar para o portão de embarque, a sensação de medo, alegria, curiosidade e todas as outras que se misturaram, nos fizeram dar o primeiro passo e caminhar em direção dos nossos sonhos. Neste momento, lembro apenas de ter dado aquele último abraço em todo mundo, pegar o Pietro no colo e simplesmente não olhar para trás, pois eu tinha certeza que isso dificultaria bastante as coisas. Eu queria guardar uma imagem feliz e não das pessoas chorando pela nossa despedida…

Embarcamos, chegamos e aqui estamos. Não viemos conquistar a América e muito menos com a ideia de viver o sonho americano, mas Deus tinha bençãos maravilhosas para a gente e mesmo nas dificuldades (sim, elas existem e não são poucas), nós estamos conseguindo trilhar nosso caminho.

A gente conversa muito sobre a mudança, acho que para quem toma essa decisão, esse é um assunto constante. No fim, sempre surge a frase “se a gente pensasse mais um pouco talvez não teríamos feito”, mas fizemos e temos várias histórias para contar.

Se eu olhar para trás, tenho certeza de que o sentimento de que valeu a pena vai ser muito maior do que o de arrependimento…

Aos poucos vou contando aqui mais coisas sobre nossa mudança.

Termino esse primeiro post com as últimas linhas do Hino Nacional Americano.

E este é nosso lema, “Em Deus está nossa confiança”
E a bandeira coberta de estrelas em triunfo moverá
Sobre a terra dos livres e o lar dos bravos